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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Chuva


A chuva cai e eu fico
relembro o outrora com passividade
o nada é o que era tudo menos o que é.
É sendo... e assim permanecerá,
tal como a chuva que sempre volta a cair.


sábado, 8 de maio de 2010

Maré



As vagas vêm e …
… as vagas vão
  e  nelas sou embalada.
Percorro os mares como se dona deles fosse.
  enjoo com a ondulação das ondas
 Sou apenas uma gota que separa o mar do céu.
 Flutuo por entre a maré
 por vezes farto-me de tanta agitação, e então …
… desço às profundezas … às águas gélidas
   aí sinto-me bem, tranquila
então remonto à superfície
e aí fico novamente
separando o mar e o céu
olhando a lua cheia
que me envolve e enche de coragem
e de calma
para que possa enfrentar o mar tumultuoso que me espera.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Vindima

O sopro da vida sente-se a  ser esmagado por meus pés.
A cada investida minha, milhões de uvas são esmagadas, comprimidas. Suas vidas escoam por entre meus dedos.
Enterro-me até aos joelhos, enterro-me em uvas inertes e sem vida.
Poucas escapam, mas em vão, pois a vez delas chegará … com o acaso.
Por fim … “Podes sair!”
Saio …
 desço do altar mortífero e …
... lavo as vidas que a mim se agarram com bagos e grainhas.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Nada


Aquela paz que não se encontra em nós.
Aquele vazio preenchido
A calma que o verde transborda
A água que os pinheiros sugam, a vida que eles roubam
O nada que eles preenchem de vazio

terça-feira, 27 de abril de 2010

Bosque encantado


Espero pelo vento … pela brisa … pela água.
Espero que me levem … como um doce sabor.
Ir … ir para lá, para aqui, estar lá e não aqui … estar, ficar
 permanecer deitada sobre a erva e dormir
sentir os cheiros e neles me perder, olhar o verde … e o verde querer ser.

sábado, 24 de abril de 2010

Incertezas


Não se sabe ao certo …
Não sei eu! Não sabe ela! Não sei …
… mas eles parecem que sabem.
O quê?
Não sei!
Não se sabe ao certo …
Sei que dói é a única coisa que sei.
Que sabem eles?
Pensam que sabem, talvez saibam!
Não sei ao certo!
A dor é real como tudo o que faz doer.
Apenas o que é … e nada mais é o que é!
Só as coisas que não doem é que desfalecem com a brisa do tempo.
Essas são boas, mas parecem ser sonhadas, imaginadas, nada são em relação às que doem.
Talvez sejam?! …
A dor ameaça surgir novamente
 Não quero, não quero mesmo, mas que faça?
Não se sabe ao certo.
Tudo sofre porque existe, porque é dor.
Que sabem os outros? … nada, apenas pensam coisas irreais.
Digo adeus às quimeras que transportam a felicidade … e …
… e abraço a angústia e a dor que se encaminham na minha direcção. Talvez? Quem sabe!?
Não se sabe ao certo. Nem eu, nem eles.
As vagas nunca cessão de ondular e o barquinho de papel tende a desfazer-se a cada ondular das ondas.
Será que ele resistirá?Não sei! Não se sabe ao certo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Fuga Outonal


Sinto-me despida como as árvores que se erguem para o céu.
Tudo à minha volta é movimento …
… mas o meu coração parou.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Os meus pedaços negros - Tomo Um

Parto sem dizer adeus, para não deixar na memória a mágoa que sinto.
Parto com a sensação que nada deixo, podendo não deixar muita coisa.


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Casal Ventoso



Eu queria morar no casal ventoso
o meu sonho é morar no casal ventoso.
Sentir o vento a soprar no cabelo
uma seringa na mão
e no pescoço um grande chupão

Eu queria morar no casal ventoso
O meu sonho é morar no casal ventoso

Em Almada à entrada da ponte, tas a vê-lo?
Até dá arrepios no pêlo!
Tás ansioso prá próxima dose
mas a tua cota não se descose
A ressaca começa a bater
só tu sabes o que tas a sofrer

domingo, 21 de março de 2010

Traços


Digo adeus, mas fico
estou num ficar ficando ... nada mais.
merda pra isto.
Voltarei? Acho que sim.
Talvez diferente, mudada, a mudança rege o meu mundo
mergulho na música da minha dor que engulo.
Olhar baço que se perde num mar de ... não sei o quê.
Estou aqui, com o fogo que arde em mim.
Que coisas sem importância eu vejo
insignificâncias deslumbro ...
... não com um olhar poético ...
... mas sim com uma dor no olhar.
Tudo volta, ou pelo menos assim penso neste instante que não quer passar.
Vou-me, buscar o nada que espero.


sábado, 13 de março de 2010

Tremer

O frio está nas minhas costas
o negro começa a envolver-me
aquela tristeza assola-me lentamente
A tristeza puxa-me para baixo, enterra-me aos poucos, ... sufoca-me
Não sei lutar
As lembrança de um outrora apertam-me o peito
o gelo apodera-se de mim ... petrifico face ao desconhecido que é o meu futuro
Não quero saber do amanhã, mas ele assombra-me a alma e quebra-me lentamente
Quero dormir, esquecer, lutar
... mas o frio apodera-se de mim

terça-feira, 2 de março de 2010